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O mês de maio se mostrou um mês ocupado para nós cinéfilos. O novo “Doutor Estranho” deu o que falar, e acabou sendo um dos melhores filmes da Marvel em algum tempo. “O Homem do Norte” fascinou alguns e desencantou outros. Finalmente “Top Gun: Maverick” veio às telonas após alguma demora e não decepcionou. No âmbito musical, a impressão foi que estas últimas semanas foram inquietas também, não podia ser diferente com o encerramento do hiato de Kendrick Lamar e Arcade Fire, cinco anos após seus últimos trabalhos, um novo disco de Criolo, dentre outros vários outros contecimentos, como a realização do festival MITA, anúncio do primeiro Primavera Sound a ser realizado no Brasil.


Não digo que foi um mês em que me coloquei a descobrir vários novos artistas, os “medalhões” que tanto gosto tiveram muitos lançamentos e me debrucei neles. As canções a serem recomendadas a seguir são uma coleção do que tenho ouvido ultimamente:



Destroyer - Eat the Wine, Drink the Bread


“Eat the Wine, Drink the Bread” é uma das mais interessantes faixas do novo disco de Destroyer, banda comandada pelo cantor-compositor canadense Dan Bejar. Aos leitores, que como eu, conheceram a banda no seu período de maior notabilidade comercial com o disco Kaputt, lançado em 2011, possivelmente se lembrarão do número “A Savage Night at the Opera” daquele disco e um balanço mais dançante. Seguro dizer, que Dan continua sendo capaz de transformar qualquer situação em um bar esfumaçado e sedutor.


Kendrick Lamar - The Heart Part 5

É estranho descrever esta nova canção de Kendrick Lamar como uma de suas mais “maduras”, visto que o rapper por tantas vezes foi descrito como um dos mais maduros de sua geração. Entretanto, é difícil não ter essa sensação ao ouvir “The Heart Part 5”, canção na qual ele reflete sobre momentos de sua carreira, agora com mais de dez anos no centro dos holofotes do gênero. No momento ainda estou digerindo seu novo trabalho, “Mr. Morale & The Big Steppers”, um disco que tem altos e baixos na minha opinião, mas esta nova canção da “série” “The Heart” carrega uma força enorme.


Sharon van Etten - Far Away

Sharon van Etten é desses artistas que você espera que nunca deixem de produzir. Uma das melhores artistas em atividade, na minha opinião, ela está em uma fase incrivelmente produtiva, com muitos projetos e parcerias feitas desde que lançou um de seus melhores discos, “Remind Me Tomorrow”, três anos atrás. “Far Away” é destas canções que apesar de sua brevidade, deixam fortemente sua marca. Fica a recomendação ao seu novo “We've Been Going About This All Wrong”.


Warpaint - Hard to Tell You

Warpaint é uma banda que sempre achei bem simpática. Em todo disco lançado por elas, encontro sempre algumas canções que adoro, apesar de não considerar que elas tenham feito um grande disco até agora. “Hard to Tell You” é uma de suas novas canções de tom mais confessional, mas empregando a atmosfera onírica que caracteriza a marca da banda. De um tempo pra cá, a banda tem adotado um som mais pop, mas não considero que isto tem sido prejudicial ao seu som.


Bloc Party - Sex Magik

Quem não se lembra do boom de bandas indie do início dos anos 2000? Bloc Party inevitavelmente será sempre lembrada por esse período. Porém, nada indica que eles façam um som menos interessante hoje em dia, e a faixa "Sex Magik" é dessas que espalham energia. Qualquer semelhança com o disco clássico dos Chili Peppers é mera coincidência. Rs.


Paulinho Moska e Zélia Duncan - Um Par Ímpar


Dois compositores parceiros de longa estrada, Paulinho Moska e Zélia Duncan, agora colocaram em letra e música uma canção, que de acordo com ambos, resume esta ligação tão forte. "Um Par Ímpar" é também o nome da turnê que eles partiram neste mês de maio, passando por algumas cidades brasileiras no caminho. A música contém muito da qualidade poética das letras que marcam a carreira dos dois ("Somos a coerência do absurdo / Nada existe igual no mundo / Tudo insiste em nos caber")



Vanessa Longoni - Passada

"Passada", de Vanessa Longoni, é uma dessas canções de momentos - um início calmo e tranquilo, seguido por um grande clímax. Elas têm estilos diferentes, mas assim como Isabela Taviani, Vanessa possui uma voz capaz de fornecer estes vários efeitos para a canção. Esta é a primeira artista desta lista que estou conhecendo mais recentemente, sinto que vale recomendar seu trabalho.


Criolo - Ogum Ogum

Ainda digerindo novo trabalho de Criolo, mas por enquanto a parceria "Ogum Ogum" com Mayra Andrade é a faixa que mais me chama a atenção. É interessante como Criolo coleciona bons duetos com vozes femininas em sua carreira, como seu trabalho com Ivete Sangalo e Tulipa Ruiz. "Ogum Ogum" é um dos mais dançantes números de sua carreira, constituindo uma sonoridade que marca muito a MPB de nosso tempo.


Black Alien - Pique Peaky Blinders

Black Alien, diferente de boa parte dos artistas deste giro, não está lançando um novo disco por agora. Mas achei divertidíssima a faixa "Pique Peaky Blinders", com seus criativos trocadilhos e flow que é característico do Gustavo. Difícil não ter a impressão que mesmo com tantos anos de carreira, Black Alien segue sendo dos artistas mais irreverentes do Rap Brasileiro.


Bryan Behr - diz

Segundo "novo artista" desta lista, Bryan Behr tem uma carreira curta, porém já lançou seu quarto disco - o belo "Todas as Coisas do Coração". "diz" é um ótimo exemplo de sua percepção e sensibilidade melódica, uma canção que emociona com sua sensibilidade. Bryan, que também possui uma de suas canções com o nome "Eu Sou Sentimental", não esconde seu gosto pela poesia e pelo romântico em sua música, o que talvez o coloque um pouco como "peixe fora d'água" na cena de hoje em dia.


Mark de Clive-Lowe - Love is Everywhere


Eu pessoalmente considero o neozelandês um dos mais interessantes artistas do Jazz hoje em dia. Além de um ótimo tecladista, Mark de Clive Lowe é um verdadeiro curador de gêneros, misturando elementos de música eletrônica e ritmos ao redor do mundo a um som ainda bem forte no jazz. "Love is Everywhere" é uma bela parceria dele com o longevo cantor Dwight Trible, dando essa cara espiritual à canção.

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