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O místico invade o thriller de sequestro

É difícil encontrar obras dentro do cenário contemporâneo de blockbusters que se entregam inteiramente aos seus dispositivos cinematográficos, que realmente se joguem de cabeça no que se propõem, que sejam desinibidos em explorar o potencial sensorial do material que possuem. Quase sempre o caminho é trilhar o racionalismo ou o mecânico, muito por medo da recepção cínica de um público cada vez menos aberto a ver cada filme como um mundo único de regras próprias, incapaz de discernir algo essencialmente fantástico de algo que almeja ter um realismo dramático (não confundir com a racionalidade excessiva do cinema estadunidense atual). Por isso mesmo que cineastas como M. Night Shyamalan são menosprezados quando escolhem lançar algo como A Dama na Água, por exemplo. A crença de um cineasta no poder de sua imagem é vista como piada, infelizmente.


E, infelizmente, receio que o mesmo venha a acontecer com Scott Derrickson (A Entidade, Doutor Estranho) e seu novo filme, O Telefone Preto.